O início do ano costuma despertar o desejo de mudança e renovação de hábitos, especialmente aqueles relacionados ao autocuidado. Entre as principais resoluções está o cuidado com a pele, impulsionado pela popularização de rotinas de skincare nas redes sociais e pelo consumo de produtos considerados “virais”. No entanto, especialistas alertam que o uso excessivo de cosméticos e a falta de orientação adequada podem gerar efeitos contrários aos esperados.
Segundo a médica e docente do IDOMED, Dra. Rayanna Nobre, um dos fenômenos cada vez mais observados nos consultórios é o chamado burnout da pele — condição caracterizada pelo esgotamento da barreira cutânea em decorrência do uso excessivo e inadequado de produtos. “Assim como acontece com o corpo e a mente, a pele também pode entrar em exaustão. O excesso de ativos, especialmente quando combinados sem critério, compromete sua função de proteção e favorece inflamações, sensibilidade extrema e a piora de doenças preexistentes”, explica.
A especialista ressalta que a associação inadequada de substâncias potencializa esse processo. Ácidos como o glicólico e ativos como o retinol, por exemplo, podem ser altamente irritantes quando utilizados em conjunto ou em concentrações inadequadas. Quantidade, frequência, concentração e ordem de aplicação são fatores determinantes. O uso incorreto pode provocar ardência, descamação persistente, surgimento de manchas e agravamento de lesões cutâneas.
Outro fator de risco está na reprodução de rotinas padronizadas amplamente divulgadas por influenciadores digitais. Esse tipo de conteúdo, em geral, desconsidera as particularidades de cada pele e incentiva o uso genérico de produtos, sem avaliação prévia. A popularização de itens “virais” leva muitas pessoas a seguirem indicações sem critérios técnicos, mesmo sabendo que cada pele possui características, necessidades e respostas diferentes.
A médica também chama atenção para o uso de receitas caseiras ou produtos naturais sem orientação profissional. Extratos naturais podem conter substâncias tóxicas ou irritantes, dependendo da concentração e da forma de absorção. Como a pele possui alta capacidade de absorção, esses compostos podem desencadear efeitos rebote, lesões e até o surgimento de doenças dermatológicas inesperadas.
Entre os principais sinais de alerta estão vermelhidão persistente, ardência, descamação sem melhora, aumento da sensibilidade, aparecimento de manchas e agravamento de lesões pré-existentes — manifestações frequentemente associadas ao burnout da pele. Diante de qualquer alteração perceptível, a recomendação é interromper o uso dos produtos e buscar a avaliação de um profissional habilitado.
Para quem não tem acesso imediato a um especialista, o autoconhecimento surge como um ponto de partida essencial. Identificar se a pele é seca, oleosa, mista ou sensível ajuda a evitar escolhas inadequadas, já que o uso de produtos incompatíveis pode intensificar processos de irritação e contribuir para o desgaste da barreira cutânea.
De acordo com a docente, uma rotina eficaz não precisa ser complexa. “O básico funciona muito bem. Manter a pele limpa, protegida do sol e hidratada já estimula uma pele saudável. Quando as rotinas se tornam longas, cheias de ativos e sem acompanhamento, o risco de burnout da pele aumenta”, ressalta.
Em síntese, o cuidado deve estar voltado à atenção aos rótulos, à procedência dos produtos e ao respaldo científico das fórmulas. “A automedicação dermatológica é comum devido ao fácil acesso aos cosméticos, mas é fundamental observar a composição, a segurança dos ativos e a confiabilidade das marcas. Cuidar da pele não é sobre excesso, e sim sobre constância, critério e segurança”, conclui.
Com informações da Ascom/Agência Eko
Fonte: Portal Santarém