O vereador João Marcus da Silva Tavares, conhecido como João Marcus da Saúde, protocolou pessoalmente na sede da Polícia Federal, em Redenção, uma série de denúncias envolvendo supostas irregularidades na gestão do prefeito Fabrício Batista Ferreira, em São Félix do Xingu, no sul do Pará. Segundo o parlamentar, os fatos apontam para falta de transparência e possível mau uso de recursos públicos, o que, na avaliação dele, exige investigação rigorosa dos órgãos competentes.
Ao anunciar a medida, João Marcus afirmou que o dinheiro público precisa ser tratado com responsabilidade, clareza e respeito, reforçando que seu papel como vereador vai além da produção de leis. “Meu lado é o do povo. Meu dever é zelar pelo que é de todos”, declarou. O parlamentar sustenta que seguirá fiscalizando cada ato da administração municipal para impedir que pessoas de má-fé façam uso indevido dos recursos da população.
De acordo com o vereador, uma das principais irregularidades denunciadas diz respeito ao cancelamento de empenhos no Portal da Transparência no mês de dezembro de 2025, que, para surpresa dele, reapareceram no sistema já em janeiro de 2026, no exercício seguinte. Para João Marcus, a manobra levanta suspeitas e precisa ser explicada. “Estou aqui exercendo meu papel constitucional de fiscalizar. Essas denúncias estão sendo formalizadas para que tudo seja apurado com seriedade”, afirmou durante o protocolo na Polícia Federal.
Gestão municipal na berlinda
As denúncias ganharam ainda mais repercussão diante de números que chamaram a atenção da população e passaram a circular nas redes sociais e nos debates políticos locais. Dados do Portal da Transparência indicariam que, em apenas um ano, a atual gestão municipal teria gasto R$ 1.791.180,00 com a compra de urnas funerárias, valor que, segundo o vereador, é quase o dobro do que foi gasto pela administração anterior ao longo de quatro anos inteiros, mesmo durante o período crítico da pandemia da Covid-19.
Na comparação, a gestão passada teria desembolsado, entre 2021 e 2024, cerca de R$ 976.944,80, enquanto a atual administração teria concentrado um gasto significativamente maior em um intervalo muito menor. “Se esses números fossem reais na prática, precisaríamos de um novo cemitério por mês na cidade”, ironiza um morador, ecoando a indignação da população que cobram explicações.

Vereador João Marcus, autor da denúncia
Outro ponto que causa estranheza é o fato de a empresa beneficiada pelos contratos ser ligada a um aliado político do prefeito, conhecido como “Gago da Funerária”. Os dados levantam suspeitas sobre a condução dos contratos e a relação entre agentes públicos e fornecedores, citando ainda nomes de figuras políticas e administrativas que precisariam prestar esclarecimentos.
Para o vereador, o dinheiro público que deveria ser investido em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura pode estar sendo desviado de sua finalidade. “A população de São Félix do Xingu não é boba e está atenta ao Portal da Transparência. Não aceitaremos que o dinheiro do povo desapareça em contratos suspeitos”, afirmou.
A redação tentou contato com a Prefeitura de São Félix do Xingu e o prefeito Fabrício Batista, mas até a publicação desta matéria não tivemos retorno. O espaço segue aberto para os devidos esclarecimentos sobre as denúncias.
Com informações do Portal O Quarto Poder