O Instituto Regatão Amazônia foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Pontão de Cultura e passa a integrar a Rede Cultura Viva. O reconhecimento valoriza uma trajetória construída desde 2023, marcada pela atuação em territórios ribeirinhos e pela articulação de redes culturais amazônidas, e impulsiona o lançamento do Programa de Atiçamento Cultural, que abre inscrições nesta segunda-feira (19). Ao longo de 2026, a iniciativa realizará uma série de ações culturais e formativas para impulsionar a vocação criativa de Alter do Chão e da região do Baixo Amazonas.
“O nosso Regatão é o primeiro Pontão de Cultura a ser reconhecido oficialmente em Alter do Chão e isso é uma responsabilidade que nos enche de esperança e orgulho do que traçamos até aqui. Essa é uma vitória dos povos da Amazônia desde a Amazônia e para à Amazônia. O nosso sentido é fortalecer as nossas culturas para que o território permaneça vivo, por isso, o nosso compromisso é atiçar à autonomia”, afirma à ribeirinha Marlena Soares, diretora executiva do Regatão, destacando o caráter coletivo do reconhecimento.
Com o título de Pontão de Cultura, o Regatão fortalece seu papel estratégico na conexão, formação e fortalecimento de coletivos, grupos culturais e organizações comunitárias, ampliando o acesso à cultura, à comunicação e à organização institucional nos territórios amazônicos. Como parte dessa nova fase, o Instituto Regatão anuncia o lançamento do Programa de Atiçamento Cultural, uma metodologia inédita de fortalecimento institucional voltada a organizações da sociedade civil amazônidas, coletivos culturais, associações comunitárias, ribeirinhas, indígenas e quilombolas.
“O termo “atiçar”, que significa avivar o fogo, expressa a essência do programa: despertar e fortalecer as capacidades territoriais já existentes, promovendo autonomia, sustentabilidade e protagonismo local”, explica Marlena.
Atiçar a autonomia
Ao longo de 2026, o Programa de Atiçamento Cultural realizará diversos ciclos de formação nas áreas de dança, gestão cultural e acessibilidade, com cerca de 51 atividades entre encontros, oficinas e mentorias. A proposta é fortalecer os fazeres artísticos e a organização institucional no território, promovendo autonomia e sustentabilidade para iniciativas culturais amazônidas.
O programa prevê 65 eventos e exibições audiovisuais, incluindo o impulsionamento de 40 edições da Quinta do Mestre, cinemas itinerantes em comunidades ribeirinhas e fóruns de diálogo, além da distribuição de 10 prêmios para iniciativas locais. Complementam as ações, quatro frentes de pesquisa voltadas ao mapeamento e à salvaguarda cultural. As inscrições do primeiro ciclo começam nesta segunda-feira (19), nas plataformas do Instituto Regatão.
O Programa de Atiçamento Cultural nasce para como resposta aos modelos históricos de desenvolvimento impostos à Amazônia, marcados pela exploração de recursos naturais e exclusão das populações locais das decisões sobre seus próprios territórios. Para o Instituto, a sustentabilidade da floresta está diretamente ligada à força das organizações que vivem e defendem o território.
Inspirado na figura histórica do “regatão”, comerciante fluvial que conectava comunidades por meio dos rios, o Programa de Atiçamento transforma a lógica da circulação de mercadorias em circulação de capacidades. Se antes o “regateiro” levava bens materiais, o Instituto Regatão leva formação institucional, ferramentas de gestão, comunicação estratégica, regularização jurídica e apoio à mobilização de recursos. A proposta é fortalecer as organizações de base para que elas possam acessar políticas públicas e gerir seus territórios com autonomia.
O reconhecimento como Pontão de Cultura e o lançamento do Programa de Atiçamento consolidam o Regatão como uma organização que atua na interseção entre cultura, território, comunicação, justiça socioambiental e autonomia comunitária. “A cultura viva se faz em rede. Assim como no rio, ninguém navega sozinho”, reforça Marlena.
Serviço:
Lançamento do Programa de Atiçamento Cultural
Ciclo formativo: 1º Ciclo formativo: Danças Regionais e formação junto à Mestres e Mestras
Abertura das inscrições: 19 de janeiro de 2025
Local: Nos canais (Instagram e Site) Regatão.
Sobre o Instituto Regatão Amazônia
Fundado em março de 2023, o Instituto Regatão é um ponto de cultura itinerante baseado em Alter do Chão que nasceu com a finalidade de promover transformações sociais através do fortalecimento da identidade cultural e a proteção territorial na Amazônia. Já realizou festivais de música e feiras de bioeconomia, agora se prepara para amplificar sua atuação com formação e fomento na rede de fazedores culturais ribeirinhos na região do Baixo Amazonas.
Por: Tainá Rionegro/Assessoria de Imprensa | Instituto Regatão
Fonte: Portal Santarém