A frase “mente sã, corpo são” é um clichê conhecido, mas para Telma Maria Marcião, de 61 anos, ela se tornou um lema de sobrevivência. Natural de Santarém, Telma viveu por 15 anos em Placas, no Pará, onde levava uma vida tranquila. No entanto, um acidente doméstico aparentemente simples mudou tudo: uma cadeira caiu sobre seu dedo. O que parecia apenas um pequeno ferimento evoluiu rapidamente para uma complicação grave, exigindo o retorno imediato a Santarém e culminando na amputação de sua perna.
”Foi um momento muito difícil, muito assustador. Eu me vi presa a uma cadeira de rodas”, relembra Telma.
O trauma físico trouxe consigo fantasmas emocionais, como a ansiedade e a depressão, que ela relata ter vencido com fé e determinação.
O Papel da reabilitação física
O caminho para a retomada da alegria passou pela academia. Por recomendação médica, Telma iniciou um processo de musculação voltado para a reabilitação. No início, o desafio parecia instransponível.
Segundo Flávio Rocha, professor de musculação e especialista em biomecânica e fisiologia do exercício, o caso de Dona Telma exigia foco total na recuperação de força. “A perda do membro inferior fez com que ela perdesse muita massa muscular, força e resistência. Quando ela chegou, estava muito frágil; não conseguia levantar pesos básicos e nem sair da cadeira de rodas sozinha”, explica o especialista.
Após semanas de treinamento disciplinado, a evolução foi visível. “Ela aumentou a força muscular, melhorou o condicionamento cardiorespiratório e venceu a insônia. A atividade física proporcionou a ela uma qualidade de sono que ela não tinha”, destaca Flávio. O professor reforça que, para resultados sólidos, a disciplina é fundamental, sendo necessários pelo menos três meses de constância e uma avaliação profissional precisa.

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”Academia é Saúde, não é Estética”
Hoje, Telma já consegue andar com o auxílio de sua prótese e deixou para trás as dores que sentia na perna oposta pelo esforço excessivo. Mais do que a melhora física, ela celebra a liberdade de espírito.
”Eu quero dizer para as pessoas que estão passando pelo meu problema: enfrente, vá à luta. Academia, como diz meu médico, é saúde. Não é para ficar com o corpo bonito, é para ter vida”, afirma Telma, com um sorriso no rosto.
A mudança de Placas para Santarém, embora forçada pelas circunstâncias, selou o início de uma nova fase. Perto da família e em sua casa própria, ela não se deixa abalar pelos olhares alheios. “O médico me perguntou se eu tinha medo dos olhares por treinar sem a prótese. Eu levantei a cabeça e estou aqui. Sou uma mulher feliz e realizada.”
Para especialistas, o exemplo de Dona Telma confirma que a atividade física na terceira idade é o pilar de um envelhecimento ativo, garantindo não apenas a saúde do coração e dos músculos, mas a preservação das funções cognitivas e o fortalecimento da autoestima.
Por: Martha Costa
Fonte: Portal Santarém